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Introdução: Espiritismo
e Mediunidade – Extraído do Livro “Estudando a Mediunidade” de
Martins Peralva Cap. II pág. 17 a 19. Que
devemos buscar na Mediunidade? Essas
três singelas perguntas constituem o esboço do presente capitulo. Em que
pese ao extraordinário progresso do Espiritismo, neste seu primeiro século
de existência codificada, qualquer observador notará que os seus
variegados ângulos ainda não foram integralmente apreendidos, inclusive
por companheiros a ele já filiados.
Muitas
criaturas, almas generosas e simples, ainda não sabem o que devem e podem
buscar na mediunidade. Em
resumo, ainda não sabemos, evidentemente, o que o Espiritismo e a pratica
mediúnica nos podem oferecer. Há
quem deseje, irrefletidamente, buscar nos serviços de intercambio entre
os dois planos a satisfação de seus interesses imediatistas,
relacionados com a vida terrena, como existem os que, endeusando os médiuns,
ameaçam-lhes a estabilidade espiritual, com sérios riscos para o Homem e
para a Causa. O
Espiritismo não responde por isso. Allan
Kardec foi, no dizer de Flammarion, “o bom senso encarnado”. O
Espiritismo, cuja codificação no plano físico coube ao sábio francês,
teria de ser, também, a Doutrina do bom senso e da lógica, do equilíbrio
e da sensatez. Ele
permanecerá como imponente marco de luz, por muitos séculos, aclarando o
entendimento de quantos lhe busquem por manancial de esclarecimento e
consolação. Ao invés
de cogitar apenas dos problemas materiais, para cuja solução existem, no
mundo, numerosas instituições especializadas, cogita o Espiritismo de
fixar o roteiro de nosso reajustamento para a Vida Superior. E, na
definição de André Luiz, “revelação divina para renovação
fundamental dos homens”. Deseja,
embora tateante, em vista das solicitações inferiores que decorrem,
inevitavelmente, do nosso aprisionamento às formas primitivistas
evolucionais, subir, devagarzinho, os penosos degraus do aperfeiçoamento
espiritual, integrando-se, para isso, no trabalho em favor de si mesmo e
dos outros. O Espírito
esclarecido considerará o médium como um companheiro comum, portador das
mesmas responsabilidades e fraquezas que igualmente nos afligem. Assim
sendo, ajudá-lo-á no desempenho dos seus deveres, evitando o elogio que
inutiliza as mais belas florações mediúnicas, para estimula-lo e
ampara-lo com a palavra amiga e sincera. Todo
Espírita ganharia muito se lesse, meditando, o capitulo História de
um Médium, do Livro “Novas Mensagens”, do Espírito Humberto de
Campos. Como
descansaria os médiuns do assedio impiedoso que lhes movem alguns
companheiros, deixando-os assim, livres e desimpedidos para a realização
de suas nobres tarefas? O
Espiritismo sincero irá compreendendo, pouco a pouco, que o Espiritismo e
o Mediunismo lhe podem oferecer ensejo para o sublime “reencontro com o
pensamento puro do Cristo, auxiliando-nos a compreensão para mais amplo
discernimento da verdade”. E,
através dessa compreensão, saberá reverenciar “O Espiritismo e a
Mediunidade como dois altares vivos no templo da fé, através dos quais
contemplaremos, de mais alto, a esfera das cogitações pròpriamente
terrestres, compreendendo, por fim, que a gloria reservada ao espírito
humano é sublime e infinita, no Reino Divino do Universo”. Com
esta superior noção das finalidades da Doutrina Espírita, não mais se
fará ouvir, proferidas por companheiros nossos, as três perguntas com
que abrimos o presente capitulo: Ä
Perigos e Perda da Mediunidade
– Conceitos Gerais. Um dos
perigos reais da mediunidade é a obsessão. Como
obsessão entende-se todo e qualquer constrangimento que os Espíritos
inferiores determinam sobre o médium dominando a sua vontade. Todos
os que possuem faculdade mediúnica, sem exceção, estão sujeitos a
obsessão, devendo, no entanto, resistir a influenciação negativa dos
Espíritos voltados ao mal. Geralmente,
nos médiuns em desenvolvimento, a obsessão começa sob a forma simples,
usando os obsessores de vários artifícios para conseguirem o seu
intento. Pode evoluir para a fascinação quando o médium acha que
é assistido por Espíritos Superiores, que na verdade não passam de mistificadores,
que sabem explorar sua vaidade, lisonjeando suas faculdades e colocando-o
como um “missionário” com importante papel no mundo. A
evolução pode seguir seu curso normal chegando o médium ao estagio da subjugação
quando o obsessor domina completamente, tanto sua inteligência quanto sua
vontade. Pelo
fato do médium possuir a capacidade de se exteriorizar
perispiriticamente, mais acessível se torna à ação dos Espíritos do
que as pessoas comuns. Os Espíritos agem sobre o médium através dos
pensamentos, envolvendo-0 com os seus fluidos que o embaraçam. É um
verdadeiro processo de enredamento fluídico. A
presença física do obsessor nem sempre é verificada, porém a sua ação
é notada pelos resultados de sua influencia sobre a mente do médium que
está sujeito. À distancia, por um fenômeno telepático, pode o obsessor
acionar os mecanismos que deseja como um operador de
rádio. É lógico que para isso acontecer, devem os dois, médium
e obsessor, estar vinculados pelo passado ou por se encontrarem na mesma
faixa vibratória, que os identifica. A
renovação espiritual do médium é fator preponderante na solução do
problema. Quando
não existe outro meio efetivo, o médium pode ter suspensa a sua
faculdade mediúnica, com vistas a se furtar, pelo menos em parte, da ação
perniciosa dos obsessores, e para que, também, com a sua faculdade
exercitada em regime de perturbação, não venha a iludir e desencaminhar
outras criaturas inexperientes que estão em busca de consolo e orientação. A
retirada da faculdade mediúnica deve ser considerada um sinal benéfico e
até mesmo uma caridade proporcionada pelos mentores. Poderá ser temporária
ou definitiva, dependendo da recuperação moral do médium e da sua
disposição de bem cumprir sua tarefa. “Os
atributos medianímicos são como os talentos do Evangelho. Se o patrimônio
divino é desviado de seus fins, o mal servo torna-se indigno de confiança
do Senhor da seara da verdade e do amor. Multiplicados no bem, os talentos
mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos divinas; todavia, se
sofrem os insultos do egoísmo, do orgulho, da vaidade ou da exploração
inferiores, podem deixar o intermediário do invisível entre as sombras
pesadas do estacionamento, nas mais dolorosas perspectivas de expiação,
em vista do acréscimo de seus débitos irrefletidos”. (O Consolador –
Questão 389). Ä
E como se reconhece a obsessão?
“Reconhece-se
à obsessão pelas seguintes características”: 1ª.
– Persistência de um Espírito em se comunicar, bom ou mal grado, pela
escrita, pela audição, pela tiptologia, etc., opondo-se a que outros Espíritos
o façam; 2ª.
– Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de
reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações que recebe; 3ª.
– Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que
se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem coisas
falsas ou absurdas; 4ª.
– Confiança do médium nos elogios que lhe dispensam os Espíritos que
por ele se comunicam; 5ª.
- Disposição para se afastar das pessoas que podem emitir opiniões
aproveitáveis; 6ª.
– Tomar a mal a critica das comunicações que recebe; 7ª.
– Necessidade incessante e inoportuna de escrever; 8ª.
– Constrangimento físico qualquer, dominando-lhe a vontade e forçando-o
a agir ou falar a seu mau grado. 9ª.
– Rumores e desordens persistentes ao redor do médium, sendo ele de
tudo a causa ou o objeto “. (O Livro dos Médiuns – Cap. XXIII nº
243)”. Ä
Mediunidade - Conceito:
Lamartine
Palhano Jr. em seu “Dicionário de Filosofia Espírita”, conceitua
mediunidade como sendo uma faculdade inerente ao homem que permite a ele a
percepção, em um grau qualquer, da influência dos Espíritos. Não
constitui privilégio exclusivo de uma ou outra pessoa, pois, sendo uma
possibilidade orgânica, depende de um organismo mais ou menos sensitivo. Ä
Mediunismo:
Alexander
Aksakof, em 1.890, empregou o termo mediunismo para designar o uso das
faculdades mediúnicas. A prática do mediunismo não significa que haja
prática de Espiritismo propriamente dito, visto que a mediunidade não é
propriedade do Espiritismo. (veja
ao final, pequena biografia de Alexander Aksakof). Ä
Mediunato:
Missão
mediúnica da qual está investido um médium. Esta expressão foi criada
pelos próprios Espíritos: “Deus me encarregou de desempenhar uma missão
junto aos crentes a quem ele favorece com o mediunato” - Joana d’Arc
(Capítulo XXXI, comunicação XII, em “O Livro dos Médiuns” de Allan
Kardec). Ä
Médium:
(Do
latim: medium = meio; intermediário; medianeiro). Pessoa que pode servir
de intermediário entre os Espíritos e os homens; aquele que em um grau
qualquer sente a influência dos Espíritos de modo ostensivo. Como
já foi mencionado, todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência
dos Espíritos, é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao
homem; não constitui, portanto, privilégio exclusivo, donde se segue que
poucos são os que não possuem um rudimento dessa faculdade. Pode-se,
pois, dizer que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente,
assim só se qualificam aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra
bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade,
o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. Ä
A Predisposição Mediúnica:
A
predisposição mediúnica independe do sexo, da idade e do temperamento,
bem como da condição social, da raça, da cultura, da religião, da
inteligência e até mesmo das qualidades morais. Todavia, quanto mais
elevado for moralmente o médium, melhor instrumento este se tornará à
Espiritualidade. Ä
O Desenvolvimento da Faculdade Mediúnica:
O
desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos
expansiva do perispírito do médium e da maior ou menor facilidade da sua
assimilação pelo dos Espíritos; depende, portanto, do organismo e pode
ser desenvolvida quando exista o princípio; não podendo, conseqüentemente,
quando o princípio não existe. As
relações entre os Espíritos e os médiuns se estabelecem por meio dos
respectivos perispíritos, dependendo a facilidade dessas relações do
grau de afinidade existente entre os dois fluidos. Alguns há que se
combinam facilmente, enquanto outros se repelem, donde se segue que não
basta ser médium para que uma pessoa se comunique indistintamente com
todos os Espíritos. Combinando
os fluidos perispiríticos os Espíritos não só transmitem aos médiuns
seus pensamentos, como também chegam a exercer sobre eles uma influência
física, fazem-nos agir e falar à sua vontade. Todavia, a elevação
moral do médium e seu controle sobre a faculdade que possuí impedirá
que os Espíritos inferiorizados se adornem da sua faculdade e
paralisem-lhe o livre arbítrio. Podem
os espíritos manifestar-se de uma infinidade de maneiras, mas não o
podem senão com a condição de achar uma pessoa apta a receber e
transmitir impressões deste ou daquele gênero, segundo as aptidões que
possua. Da diversidade de aptidões decorre
que há diferentes espécies de médiuns. Bibliografia:
Apostila do Coem nº 08 22ª.
Sessão de Exercício Prático. Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido
Xavier, “Encontro Marcado”, Cap. 33; idem, “O Consolador”, Questão
389. Espiritismo e Mediunidade – Extraído do Livro “Estudando a
Mediunidade” de Martins Peralva Cap. II pág. 17 a 19.”Livro dos Médiuns”. |