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Os Mistificadores: Um
dos maiores obstáculos para a divulgação e aceitação do Espiritismo
é a mistificação, que é o ato de uma entidade se comunicar pela
escrita ou pela palavra enganando os presentes quanto à sua identidade e
à sua posição espiritual. Precisamos
distinguir animismo de mistificação, que são dois fenômenos
completamente diferentes. Animismo
é o fenômeno produzido pela própria alma do médium,
e desde que espontâneo, é sempre válido. Difere da mistificação
que pressupõem engodo, engano, dolo, mentira, e pode ser produzida por
espíritos desencarnados, bem como, também, pelo próprio médium, consciente
ou inconsciente. Na
mistificação sempre existe o desejo de enganar, trapacear,
dar característas de verdade ao que é falso. Há
algum meio seguro de reconhecer e evitar a mistificação? Sem
duvida, e todos eles estão fartos e minuciosamente expostos no item nº
268, de “O Livro dos Médiuns”, a que iremos nos reportar. “Muitos
Espíritos protetores se designam pelos nomes de santos, ou de personagens
conhecidas... nem todos os nomes de santos e de personagens conhecidas
bastariam para fornecer um protetor a cada homem. Entre os Espíritos,
poucos há que tenham nome conhecido na Terra. Por isso é que, as mais
das vezes, eles nenhum nome declinam. Vós, porém, quase sempre quereis
um nome; então, para vos satisfazer, o Espírito toma o de um homem que
conhecestes e a quem conhecestes e a quem respeitais”. “O
uso desse nome não pode ser considerado uma fraude?”. “Seria
uma fraude da parte de um Espírito mau, que quisesse enganar; mas, quando
é para o bem, Deus permite que assim procedam os Espíritos da mesma
categoria, porque há entre eles solidariedade e analogia de pensamentos. “Acresce
que, quanto mais elevado é um Espírito, tanto mais dilatada é a sua irradiação.
Segue-se, portanto, que um Espírito protetor de ordem muito elevado pode
ter sob a sua tutela centenas de encarnados”. “...
Se, porém o Espírito evocado não pode vir, o que se apresenta é forçosamente
um mandatário... Os Espíritos Superiores sabem a quem confiam o encargo
de os substituir. Além disso, quanto mais elevados são os Espíritos,
mais se confundem pela comunhão dos pensamentos, de tal sorte que, para
eles, a personalidade é coisa indiferente, como o deve ser também para vós”. “Julgais,
então, que no mundo dos Espíritos Superiores não haja senão os que
conhecestes na Terra, como capazes de vos instruírem?”. “...
mas, como permitem os Espíritos Superiores que outros, de baixo estalão,
adotem nomes respeitáveis para induzirem os homens em erro, por meio de máximas
não raro perversas?”. “Não
é com a permissão dos primeiros que estes o fazem. O mesmo não se dá
entre vós? Os que desse modo enganam os homens serão punidos, ficai
certos, e a punição deles será proporcionada à gravidade da impostura.
Ao demais, se não fosseis imperfeitos, não teríeis em torno de vós senão
bons Espíritos; se sois enganados, só de vós mesmos vos deveis queixar.
Deus permite que assim aconteça, para experimentar a vossa perseverança
e o vosso discernimento e para vos ensinar a distinguir a verdade do erro.
Se não o fazeis, é que não estais bastante elevados e precisais das lições
da experiência. No
que diz respeito à simpatia que porventura os Espíritos possam nutrir
pelos encarnados vejamos o que é que eles nos ensinam: “...
Também é preciso saibais que há pessoas pelas quais os Espíritos
Superiores se interessam mais do que outras e, quando eles julgam
conveniente, as preservam dos ataques da mentira. Contra essas pessoas os
Espíritos enganadores nada podem... Os bons Espíritos se interessam
pelos que usam criteriosamente da faculdade de discernir e trabalham
seriamente por melhorar-se. Dão a esses suas preferências e os secundam;
poucos porem, se incomodam com aqueles junto dos quais perdem o tempo em
belas palavras”. E
quanto aos caracteres e sinais que possam usar para sua identidade,
vejamos a palavra serena e equilibrada dos Espíritos: “Os
Espíritos Superiores nenhum outro sinal têm para se fazerem reconhecer
além da superioridade das suas idéias e de sua linguagem. Qualquer Espírito
pode imitar um sinal material. Quanto aos Espíritos inferiores, esses se
traem de tantos modos, que fora preciso ser cego para deixar-se iludir...
Os Espíritos só enganam os que se deixam enganar...”. “Há
pessoas que se deixam seduzir por uma linguagem enfática, que apreciam
mais as palavras do que as idéias, que mesmo tomam idéias falsas e
vulgares, por sublimes. Como podem essas pessoas, que não estão aptas a
julgar as obras dos homens, julgar as dos Espíritos?” “Quando
essas pessoas são bastante modestas para reconhecer a sua incapacidade não
se fiam de si mesmas; quando por orgulho se julgam mais capazes do que o são,
trazem consigo a pena da vaidade tola que alimentam. Os Espíritos
enganadores sabem perfeitamente a quem se dirigem. Há pessoas simples e
pouco instruídas mais difíceis de enganar do que outras, que têm finura
e saber. Lisonjeando-lhes as paixões, fazem eles do homem o que
querem”. No
que diz respeito à identificação dos Espíritos que se comunicam nas
chamadas sessões de doutrinação, o que se deve interessar é o problema
da entidade em si, o seu esclarecimento, a sua consolação. (Apostila do
Coem nº 07 – 20ª. Sessão de Exercício Prático).
(Allan kardec, O Livro dos Médiuns, 2ª. Parte – Cap. XXIV;
Emmanuel psicografia de Francisco Cândido Xavier, O Consolador, perg. 379
e 401). ÄNecessidade
de Identificação. Em
se tratando de espíritos que vêm à sessão para serem orientados e
consolados, para receberem o alivio da prece, não vemos necessidade
alguma que levantemos seus dados biográficos. Vivendo
problemas angustiantes e estando confusos quanto à noção de tempo e
espaço a que estavam condicionados na Terra, muitos deles são incapazes
de informar, com segurança, quem realmente são. Todavia, quando
espontaneamente eles se dignam fornecer alguns dados quanto à sua
personalidade, para efeitos de estudo, sempre é interessante
confirma-los, se houver essa possibilidade. O
médium iniciante não deve preocupar-se por não ter a mínima intuição
a respeito da identidade do Espírito que através de si se comunica. Só
com o tempo e o treinamento é que terá a capacidade de identificar
perfeitamente as entidades comunicantes. Determinados detalhes podem levar
a presumir-se que se trata desta ou daquela entidade. Porém, se é para
atender a quem precisa, não vamos perder tempo fazendo inquirições sem
fim, somente para satisfazer uma vã curiosidade. Lembremos que será
falta de caridade obrigar o Espírito, que busca o socorro em nossas sessões,
a revelar-se quando prefere permanecer no anonimato. Quando
se trata de uma entidade que procura dar orientações, o nome que usa é
secundário e pouco deve influir quanto à aceitação ou não da
mensagem, o conteúdo é o elemento primordial. Se se trata de uma
personagem conhecida e famosa, mais cuidado ainda devemos ter porque, se
ela espontaneamente dita o seu nome, deve dar dados que lhe sirvam de
identificação. Quando
ocorre a comunicação por intermédio de um médium seguro e com a
possibilidade de filtrar bem as características do espírito comunicante,
pode haver um impacto na opinião geral e a atitude dos familiares vir
comprovar que reconhecem a mensagem como verdadeira, como sendo de seu
familiar desencarnado. É
o caso de Humberto de Campos, que após desencarnar, ditou obras através
de Chico Xavier, dando sobejas demonstrações de sua identidade, e a família,
enciumada, moveu um processo para que ela tivesse acesso aos direitos
autorais dessas obras mediúnicas. De
toda polemica, o que ocorreu é que Humberto de Campos, o velho
Conselheiro XX, passou a usar o pseudônimo que o anonimatizou: Irmão
X. Alias,
os espíritos elevados quase sempre se valem desse recurso numa demonstração
que para eles o nome pouca importância tem. ÄBibliografia:
Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, Pão Nosso, Cap. 134; Allan
Kardec, O Livro dos Médiuns, item 268.
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