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Ä Normas para os Trabalhos Práticos. Esquematização Ideal dos Trabalhos Mediúnicos e Doutrinários de um Centro Espírita. Espiritismo e Lar. O culto do Evangelho no Lar. O
Centro Espírita não é o local somente de reuniões mediúnicas levada a
efeito por grupos diferentes e alheios entre si. O
Centro Espírita, sobretudo é um local de reunião permanente dos espíritas
que a ele acorre com a finalidade de se esclarecer, trabalharem, pondo em
prática os ensinamentos doutrinários e conviverem em um clima de real
fraternidade, antecipando na terra o ambiente de amor fraternal que forma
e sedimenta o laço da chamada “família espiritual”. O
Centro Espírita, pois é o Templo-Lar-Escola-Oficina em que procuramos
associar de forma equilibrada os valores espirituais cultivados pelo nosso
esforço. Templo, porque nele nos exercitamos na oração e no respeito,
cultuando intimamente os valores transcendentais; Lar, porque imbuídos de
fraternidade pura, a todos consideramos irmãos, procurando conviver com
eles e exaltando na pratica o mais importante dos sentimentos, o
sentimento do amor; Escola, porque é aí que vamos aprender o verdadeiro
sentido das coisas; é aí que vamos descerrar o véu da ignorância que
nos cobre o entendimento acerca das verdades espirituais; é aí que
aprendemos a disciplina do estudo em conjunto no qual ninguém busca posições
de superioridade no conhecimento, mas em que todos se igualam no esforço
da procura e da analise das conceituações doutrinarias. Escola, porém,
que não se atém somente à teorização, mas que busca também oferecer
a leira do solo para que todos tenham oportunidade do trabalho redentor;
portanto, é Escola-Oficina. Destarte,
notamos quão importante é o papel do Centro Espírita representando a célula
máter do movimento espírita, reflexo exato de nosso esforço e dedicação
em prol do Reino do Bem e o Amor entre as criaturas. Normas para os Trabalhos Práticos
“As
reuniões espíritas oferecem grandíssimas vantagens, por permitirem que
os que nelas tomam parte se esclareçam, mediante a permuta das idéias,
pelas questões e observações que se façam, das quais todos
aproveitam”. “As
reuniões instrutivas apresentam caráter muito diverso e, como são as em
que se pode haurir o verdadeiro ensino, insistiremos mais sobre as condições
a que devem satisfazer”. “A
primeira de todas é que sejam sérias, na integral acepção da palavra.
Importa se persuadam todos que os Espíritos cujas manifestações se
desejam são de natureza especialíssima; que, não podendo o sublime
aliar-se ao trivial, nem o bem ao mal, quem quiser obter boas coisas,
precisa dirigir-se a bons Espíritos. Não basta, porém, que se evoquem
bons Espíritos; é preciso, como condição expressa, que os assistentes
estejam em condições propicias, para que eles assintam em vir. Ora, a
assembléias de homens levianos e superficiais, Espíritos superiores não
virão, como não viriam quando vivos”. “Uma
reunião só é verdadeiramente seria, quando cogita de coisas úteis, com
exclusão de todas as demais. Se os que a formam aspiram a obter fenômenos
extraordinários, por mera curiosidade, ou passatempo, talvez compareçam
Espíritos que os produzam, mas os outros daí se afastarão. Numa
palavra, qualquer que seja o caráter de uma reunião, haverá sempre Espíritos
dispostos a secundar as tendências dos que a componham. Assim, pois,
afasta-se do seu objetivo toda reunião séria em que o ensino é substituído
pelo divertimento”. “A
instrução Espírita não abrange apenas o ensinamento moral que os Espíritos
dão, mas também o estudo dos fatos. Incumbe-lhe a teoria de todos os fenômenos,
a pesquisa das causas, a comprovação do que é possível e do que não o
é; em suma, a observação de tudo o que possa contribuir para o avanço
da ciência. Ora, fora erro, acreditar-se que os fatos se limitam aos fenômenos
extraordinários; que só são dignos de atenção os que mais fortemente
impressionam os sentimentos. A cada passo, eles ressaltam das comunicações
inteligentes e de forma a não merecerem desprezados por homens que se reúnem
para estudar”. “As
reuniões de estudo são, além disso, de imensa utilidade para os médiuns
de manifestações inteligentes, para aqueles, sobretudo, que seriamente
desejam aperfeiçoar-se e que a elas não comparecem dominados por tola
presunção de infalibilidade. Constituem um dos grandes tropeços da
mediunidade, como já tivemos ocasião de dizer, a obsessão e a fascinação.
Eles, pois, podem iludir-se de muito boa-fé, com relação ao mérito do
que alcançam e facilmente se concebe que os Espíritos enganadores têm o
caminho aberto, quando apenas lidam com um cego. Por essa razão é que
afastam o seu médium de toda fiscalização; que chegam mesmo, se for
preciso, a faze-lo tomar aversão a quem quer que o possa esclarecer. Graças
ao insulamento e á fascinação, conseguem sem dificuldade leva-lo a
aceitar tudo o que eles queiram. “Nunca
será demais repetir: aí se encontra não somente um tropeço, mas um
perigo, dizemos. O único meio, para o médium, de escapar-lhe é a análise
praticada por pessoas desinteressadas e benevolentes que, apreciando com
sangue frio e imparcialidade as comunicações, lhe abram os olhos e o façam
perceber o que, por si mesmo, ele não possa ver. Ora, todo médium que
teme esse juízo já está no caminho da obsessão; aquele que acredita
ter a luz feita exclusivamente em seu proveito está completamente
subjugado. Se toma a mal as observações, se as repele, se se irrita ao
ouvi-las, dúvida não cabe sobre a natureza má do Espírito que o
assiste. “Temos
dito que um médium pode carecer dos conhecimentos necessários para
perceber os erros; que pode deixar-se iludir por palavras retumbantes e
por uma linguagem pretensiosa, ser seduzido por sofismas, tudo na maior
boa fé. Por isso é que em falta de luzes próprias, deve ele
modestamente recorrer à dos outros, de acordo com estes dois adágios:
quatro olhos vêem mais do que dois e – ninguém é bom juiz em causa própria.
Desse ponto de vista é que são de grande utilidade para o médium as
reuniões, desde que se mostre bastante sensato para ouvir as opiniões
que se lhe dêem, porque ali se encontrarão pessoas mais esclarecidas do
que ele e que apanharão os matizes, muitas vezes delicados, por onde trai
o Espírito a sua inferioridade”. “Todo
médium, que sinceramente deseje não ser joguete da mentira, deve,
portanto, procurar produzir em reuniões sérias, levando-lhes o que
obtenha em particular, aceitar agradecido, solicitar mesmo o exame crítico
das comunicações que receba. Se estiver às voltas com Espíritos
enganadores, esse o meio mais seguro de se desembaraçar deles,
provando-lhes que não o podem enganar. Aliás, ao médium, que se irrita
com a critica, tanto menos razão assiste para semelhante irritação,
quanto o seu amor-próprio nada tem que ver com o caso, pois que não é o
seu o que lhe sai da boca, ou do lápis, e que mais responsável não é
por isso, do que o seria se lesse os versos de um mau poeta. “Insistimos
nesse ponto, porque, assim como esse é um escolho para os médiuns, também
o é para as reuniões, nas quais importa não se confie levianamente em
todos os intérpretes dos Espíritos. O concurso de qualquer médium
obsidiado, ou fascinado, lhe seria mais nocivo do que útil; não devem
elas pois, aceita-lo. “Toda
reunião espírita deve, pois, tender para a maior homogeneidade possível.
Está entendido que falamos das em que se deseja chegar a resultados sérios
e verdadeiramente úteis. Se o que se quer é apenas obter comunicações,
sejam estas quais forem, sem nenhuma atenção à qualidade dos que as dêem,
evidentemente desnecessárias se tornam todas essas precauções; mas, então,
ninguém tem que se queixar da qualidade do produto”. “Há,
ainda outro ponto não menos importante: o da regularidade das reuniões.
Em todas, sempre estão presentes Espíritos a que poderíamos chamar freqüentadores
habituais, sem que com isso pretendamos referir-nos aos que se encontram
em toda parte e em tudo se metem. Aqueles são, ou Espíritos protetores,
ou os que mais assiduamente se vêem interrogados”. “Ninguém
suponha que esses Espíritos nada mais tenham que fazer, senão ouvir o
que lhes queiramos dizer, ou perguntar. Eles têm suas ocupações e, além
disso, podem achar-se em condições desfavoráveis para serem evocados.
Quando as reuniões se efetuam em dias e horas certos, eles se preparam
antecipadamente a comparecer e é raro faltarem”. “...
Mesmo fora das horas predeterminadas, podem eles, sem dúvida, comparecer
e se apresentar de boa-vontade, se é útil o fim objetivado. Nada, porém,
mais prejudicial às boas comunicações do que os chamar a torto e a
direito, quando isso nos acuda à fantasia e, principalmente, sem motivo sério.
Como não se acham adstritos a se submeterem aos nossos caprichos, bem
pode dar-se que não se movam ao nosso chamado. É então que ocorre
tomarem-lhe outros o lugar e os nomes”. “Já
vimos de quanta importância é a uniformidade de sentimentos, para a
obtenção de bons resultados. Necessariamente, tanto mais difícil é
obter-se essa uniformidade, quanto maior for o número. Nos agregados
pouco numerosos, todos se conhecem melhor e há mais segurança quanto à
eficiência dos elementos que para eles entram. O silencio e o
recolhimento são mais fáceis e tudo se passa como em família”. (O
Livro dos Médiuns, Cap. XXIX, itens 324, 327, 328, 329, 331, 333 e 335.). Fica
claro desta forma que todo e qualquer paramento, vestuário especial,
ritual, exterioridades, ambientes adredemente preparados para despertar o
mistério ou o misticismo, gesticulações e encenações, são meros
adereços que não cabem nas praticas mediúnicas verdadeiramente espíritas. As
reuniões práticas não devem ser públicas. Há
quem aconselhe esse procedimento e acredita que é uma boa forma de
doutrinação indireta, pois que, assistindo as manifestações mediúnicas
e ouvindo as doutrinações o publico se esclarece e se edifica. Vejamos
a opinião do Codificador do Espiritismo, Allan Kardec: “Sendo
o recolhimento e a comunhão dos pensamentos as condições essenciais a
toda reunião seria, fácil de compreender-se que o numero excessivo dos
assistentes constitui uma das causas mais contrarias à homogeneidade. Não
há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número e bem se concebe
que cem pessoas, suficientemente concentradas e atentas, estarão em
melhores condições do que estariam dez, se distraídas e bulhentas. Mas,
também é evidente que quanto maior for o número, tanto mais difícil
será o preenchimento dessas condições. Alias, é fato provado pela
experiência que os círculos íntimos, de poucas pessoas, são sempre
mais favoráveis às belas comunicações, pelos motivos que vimos de
expender”. (O Livro dos Médiuns, item 332). “Uma
reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a
resultante das de seus membros e formam como que um feixe. Ora este feixe
tanto mais força terá, quanto mais homogêneo for... Desde que o Espírito
é de certo modo atingido pelo pensamento, como nós somos pela voz, vinte
pessoas, unindo-se com a mesma intenção, terão necessariamente mais força
do que uma só; mas, a fim de que todos esses pensamentos concorram para o
mesmo fim, preciso é que vibrem em uníssono; que se confundam, por assim
dizer, em um só, o que não pode dar-se sem a concentração. (idem, item
331”). “...
As grandes assembléias excluem a intimidade, pela variedade dos elementos
de que se compõem... A divergência dos caracteres, das idéias, das
opiniões, aí se desenha melhor e oferece aos Espíritos perturbadores
mais facilidade para semearem a discórdia. Quanto mais numerosa é a
reunião, tanto mais difícil é conterem-se todos os presentes. Cada um
quererá que os trabalhos sejam dirigidos segundo o seu modo de
entender...” (Idem, item 335). O
evitar que elementos estranhos e não simpáticos às idéias espíritas
façam parte dos trabalhos, aonde procuram lançar a confusão e a cizânia,
servindo de instrumento do mal, é uma das atitudes que só podem ser
tomadas quando o número de componentes de uma reunião é reduzido e onde
todos se conhecem. Daí as reuniões espíritas deverem ser sempre
privativas, com seleção prévia dos elementos que as compõem. A
condição moral dos participantes de uma reunião é o elemento indispensável
para atrair os Espíritos deste ou daquele padrão espiritual. “A
influência do meio é conseqüência da natureza dos Espíritos e do modo
por que atuam sobre os seres vivos. Dessa influencia pode cada um deduzir,
por si mesmo, as condições mais favoráveis para uma Sociedade que
aspira a granjear a simpatia dos bons Espíritos e a só obter boas
comunicações, afastando as más. Estas condições se contêm todas nas
disposições morais dos assistentes e se resumem nos pontos seguintes”: Perfeita
comunhão de vistas e de sentimento: Cordialidade
recíproca entre todos os membros; Ausência
de todo o sentimento contrário à verdadeira caridade cristã; Um
único desejo: o de se instruírem e melhorarem, por meio dos ensinos dos
Espíritos e do aproveitamento de seus conselhos. Quem
esteja persuadido de que os Espíritos superiores se manifestam com o fito
de nos fazerem progredir, e não para nos divertirem, compreenderá que
eles necessariamente se afastam dos que se limitam a lhes admirar o
estilo, sem nenhum proveito tirar daí, e que só se interessam pelas sessões,
de acordo com o maior ou menor atrativo que lhes oferecem, segundo os
gostos particulares de cada um deles. Exclusão
de tudo o que, nas comunicações, pedidas aos Espíritos, apenas exprima
o desejo de satisfação da curiosidade; Recolhimento
e silêncio respeitosos, durante as confabulações com os Espíritos que
sejam evocados; Concurso
dos médiuns da assembléia, com isenção de todo sentimento de orgulho,
de amor-próprio e de supremacia e com o só desejo de serem úteis. Serão
estas condições de tão difícil preenchimento, que se não encontre
quem as satisfaça? Não o cremos; esperamos, ao contrario, que as reuniões
verdadeiramente serias, como as que já se realizam em diversas
localidades, se multiplicarão e não hesitamos em dizer que a elas é que
o Espiritismo será devedor da sua mais ampla propagação. Religando os
homens honestos e conscienciosos, elas imporão silencio à crítica e,
quanto mais puras forem suas intenções, mais respeitadas serão, mesmo
pelos seus adversário: Quando a zombaria ataca o bem, deixa de provocar o
riso: torna-se desprezível. É nas reuniões desse gênero que se
estabelecerão, pela força mesma das coisas, laços de real simpatia, de
solidariedade mútua, que contribuirão para o progresso geral “. (O
Livro dos Médiuns, item 341)”. Esquematização
Ideal dos Trabalhos Mediúnicos e Doutrinários de um Centro Espírita. Um
Centro Espírita, para cumprir bem o papel a que foi chamado a
desempenhar, deve ter condições mínimas exigidas sem as quais estará
servindo de modo incompleto àqueles que o buscam. O
Centro deve ter três tipos de tarefas que se ligam umas às outras nas
seguintes áreas: A
– Campo doutrinário teórico: 1
– palestras; 2
– cursos de orientação (sobre mediunidade, de dirigentes, etc.); 3
– aulas de evangelização da infância; 4
– reuniões de estudos para os jovens; 5
– reuniões de estudos para os pais; B
– Campo doutrinário prático: 1
– reunião de passes, irradiação, receituário, etc.; 2
– reunião de consultas e tratamentos espirituais; 3
– reunião de desenvolvimento da mediunidade; 4
– reunião de doutrinação de Espíritos desencarnados
5 – reunião de desobsessão. C
– Campo Assistencial: Compreende
todos os trabalhos que visem a promoção social das pessoas assistidas
pelo Centro através da reintegração social, valorização da criatura,
ensino de ofícios, etc., sem descurar de oferecer a todos o conhecimento
espírita que sempre deve estar ligado a qualquer atividade social que se
realize. Assim,
o Centro Espírita deve ser o ponto de convergência de vários grupos
afins, cada um ocupado em tarefa que lhe é especifico, mas todos
trabalhando em conjunto numa programação previamente elaborada para que
se alcance o fim desejado. Todos os grupos que constituem a casa devem
solidarizar-se entre si, unindo-se cada vez mais, para que o Centro seja
um foco irradiador de paz, entendimento e harmonia. Para que ele seja
realmente o Templo-Lar-Escola-Oficina. Sumário: O
Centro Espírita deve funcionar como uma unidade doutrinaria, com
trabalhos interligados entre si e em continuidade uns aos outros. O
Centro Espírita, célula-máter do movimento espírita, é o
Templo-Lar-Escola onde procuramos aprender e cultivar os valores e as
verdades espirituais numa convivência de fraternidade pura, associando a
teoria ao trabalho redentor. As
reuniões espíritas oferecem grandes vantagens pela permuta de idéias e
pelas questões e observações que se façam em proveito de todos os que
delas participam. As
reuniões instrutivas são as em que se pode haurir o verdadeiro ensino e
por isto devem ser sérias e afastar quaisquer propósitos de mera
curiosidade. A
instrução espírita abrange o ensinamento moral e o estudo dos fatos
pela explicação teórica de todos os fenômenos, a pesquisa das causas,
a comprovação do que é possível e do que não o é, em suma, a observação
de tudo o que possa contribuir para o avanço da ciência. As
reuniões de estudo são de imensa utilidade para os médiuns, sobretudo
para os que desejam aperfeiçoar-se sem a presunção de infalibilidade. Graças
ao insulamento e à fascinação, os Espíritos enganadores levam o médium
a aceitar tudo o que eles queiram. Aí se encontra um tropeço e um
perigo. O único meio para o médium escapar disso é a análise das
comunicações que recebe, praticada por pessoas desinteressadas e
benevolentes, com sangue frio e imparcialidade. Todo médium que teme esse
juízo está no caminho da obsessão. Toda
reunião espírita deve buscar a homogeneidade possível para chegar a
resultados úteis e realizar-se com regularidade, pois os Espíritos
protetores possuem outras ocupações e não estão a nossa disposição a
qualquer hora. As
reuniões práticas não devem ser publicas, mas privativas e com seleção
previa dos componentes. A
condição moral dos participantes é ponto fundamental e todos devem ter:
perfeita comunhão de vistas e de sentimentos, cordialidade recíproca; o
desejo único de se instruírem e melhorarem, etc. O local das reuniões mediúnicas deve ser o Centro Espírita que possui as condições necessárias e especificas para isso. O
ambiente das reuniões deve oferecer as condições que favoreçam o
recolhimento e a elevação do pensamento e jamais apresentar quaisquer
arranjos ou ornamentações que cheirem à magia, pois são absurdos e
perigosos pelas idéias supersticiosas que alimentam. Para os Espíritos
superiores o pensamento é tudo, a forma nada! Paramentos,
vestuário especial, ritual, exterioridades, ambiente que evoque mistério
ou misticismo, gesticulações e encenações litúrgicas, não cabem na
verdadeira prática espírita. O
Centro Espírita deve ter três tipos de tarefas: 1
– Campo doutrinário teórico, compreendendo palestras, cursos de
orientação, evangelização da infância e da mocidade; 2
– Campo doutrinário pratico, abrangendo reuniões de passe, irradiação,
desenvolvimento mediúnico, etc. 3
– Campo assistencial que compreende a promoção social, a reintegração
e a valorização da criatura humana, o ensino de ofícios e o
oferecimento da doutrina espírita. Espiritismo
e Lar. O culto do Evangelho no Lar. Para muitos que não entendem ou preferiram colocar acima dos princípios doutrinários orientadores da pratica mediúnica sua opinião pessoal, os trabalhos mediúnicos podem ser realizados no próprio lar. Todavia, as orientações dos Espíritos são contrarias a esse modo de pensar e a prática tem mostrado os inconvenientes das reuniões mediúnicas domiciliares. No
lar deve-se realizar o culto do evangelho, semanalmente, para harmonizar o
ambiente e as pessoas que aí residem. O
Espiritismo sendo uma doutrina eminentemente dinâmica e profunda, alicerçada
em ensinamentos transcendentais e com objetivos morais, resolverá o
problema da humanidade, transformando o Homem no verdadeiro cristão, pois
este colocará em prática seus ensinamentos em todas as situações da
vida. A
Doutrina Espírita é o elemento mais potente de transformação moral da
criatura humana, porque esta, conhecendo a verdade e as leis que regem a
harmonia do Universo, aprenderá a caminhar de forma tal que não as
contrariará e propiciará o seu próprio crescimento espiritual. O
Espiritismo é uma força moralizadora pela sua doutrina, pelos exemplos
de renovação espiritual que apresenta, pelos ensinamentos claros e
racionais que faculta fazendo desabrochar na criatura o entendimento e
esta, de olhos abertos, livre de rituais, de temores, de superstições,
do misticismo caminham livremente, escolhendo o terreno onde seus pés se
firmam, respeitando e amando as Leis da Vida, porque finalmente as
compreendeu. É o caminho da felicidade, da redenção, da recuperação
espiritual pelo ressarcimento dos erros, é o caminho normal da evolução
do ser que um dia atingirá a angelitude. E
se a Doutrina Espírita faz eclodir esta força íntima que nos
possibilita renovação espiritual, sua ação se manifesta primeiramente
no reduto familiar, no ninho domestico, no próprio lar. No
lar, cadinho das experiências mais difíceis, local do reencontro dos
corações que se amaram ou se odiaram no passado, é que a vida cobra os
débitos contraídos em outras encarnações ou que premia pelos acertos,
oferecendo oportunidades de se reencontrarem almas que muito se querem. O
Espiritismo tem, portanto, uma importante função no lar. A função de
consolar, de amparar, de orientar, de fortalecer, de impregnar o espírito
humano de compreensão, de paciência, de humildade, de amor e de perdão. O
Espiritismo aí funciona como fonte límpida e serena, que dessedenta a
alma abrasada nas conseqüências da sua própria intemperança; funciona
como lenço amigo a enxugar o pranto do desconsolo diante de situações
inevitáveis; funciona como mestre silencioso a indicar a solução dos
enigmas da própria vida, incentivando ao estudo e ao entendimento;
funciona como amigo permanente a estimular a que não se perca a esperança,
entregando-se ao desespero, nem que se busque a solução pela fuga
covarde, mas que se mostre fibra na luta e na adversidade, guardando
confiança e serenidade espirituais. O
Espiritismo é tudo isso e muito mais ainda. Ele é tudo o que dele se
espera. Quando
a humanidade perceber o tesouro de luz que tem ao seu alcance e que, às
vezes de faz juízo, dele se aproveita com interesses curtos e rasteiros,
dele se acerca temerosa de se comprometer, de o conhecer, de o entender e
de o praticar, instalar-se-á na terra o Reino. O reino da paz, da concórdia,
da honestidade, do trabalho, da humildade, do bem e do amor. O reino
proposto por Nosso Senhor Jesus Cristo. Nessa
transformação, que está prevista nos programas superiores, há um
elemento fundamental – o lar. É o fermento que levedará a massa toda. O
lar, pequeno até na expressão gráfica, diminuído hoje por alguns sociólogos,
que o tratam como remanescente da época medieval, já superado pelas
novas experiências de vida livre, é, no entanto, instituição
essencialmente divina e base da recuperação da humanidade transviada,
através, do esforço do homem e da mulher. “...
O lar é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano da evolução
divina. A reta vertical é o sentimento feminino, envolvido nas inspirações
criadoras da vida. A reta horizontal é o sentimento masculino, em marcha
de realizações no campo do progresso comum. O lar é o sagrado vértice
onde o homem e a mulher se encontram para o entendimento indispensável.
É templo, onde as criaturas devem unir-se espiritual antes que
corporalmente... O lar é conquista sublime que os homens vão realizando
vagarosamente. “...
Por enquanto, raros conhecem que o lar é instituição essencialmente
divina e que se deve viver, dentro de suas portas, com todo o coração e
do noivado, procuram-se mobilizando os máximos recursos do Espírito, e
daí o dizer-se que todos os seres são belos quando estão
verdadeiramente amando. O assunto mais trivial assume singular encanto nas
palestras mais fúteis. O homem e a mulher comparecem aí, na integração
de suas forças sublimes. Mas logo que recebem a benção nupcial, a
maioria atravessa os véus do desejo, e cai nos braços dos velhos
monstros que tiranizam corações. Não há tolerância e, por vezes, nem
mesmo fraternidade. E apaga-se a beleza luminosa do amor, quando os cônjuges
perdem a camaradagem e o gosto de conversar. Daí em diante, os mais
educados respeitam-se; os mais rudes mal se suportam”. “...
A tarefa da mulher, no lar, não pode circunscrever-se a umas tantas lágrimas
de piedade ociosa e a muitos anos de servidão”. É
claro que o movimento coeso do feminismo desesperado constitui abominável
ação contra as verdadeiras atribuições do espírito feminino. A mulher
não pode ir ao duelo com os homens, através de escritórios e gabinetes,
onde se reserva atividade justa ao espírito masculino... O homem deve
aprender a carrear para o ambiente domestico a riqueza de suas experiências,
e a mulher precisa conduzir a doçura do lar para os labores ásperos do
homem. Dentro
de casa, a inspiração; fora dela, a atividade. Uma não viverá sem a
outra “. (Nosso Lar – Cap. 20 – Noções de Lar)”. Espiritismo
no coração da mulher é a presença divina na Terra, porque com a dedicação
de mãe e de companheira poderá fazer com que desponte nos filhos e no
esposo o desejo de renovação espiritual tão necessária para as realizações
futuras. E
para a união de todos os participantes da casa, surge o Culto do
Evangelho no Lar como elemento fundamental e indispensável. O
comodismo de muitos e a ignorância sobre as práticas mediúnicas da
maioria têm feito com que as reuniões do Culto do Evangelho no Lar se
transformem em sessões mediúnicas caseiras, correndo todos os riscos e
os inconvenientes da mediunidade praticada em lugar inadequado para isso. Se
o Espiritismo é a presença divina entre nós, o cultivo dessa presença
se deve fazer através de um permanente esforço de estudo, de
esclarecimento e de prática dos ensinamentos que o Evangelho, repositório
da moral espírita propicia. A
reunião do Culto do Evangelho no Lar é a oportunidade, a nós todos
facultada, para abrirmos as portas de nossa casa para recebermos a visita
dos ensinamentos de nosso Sublime Mestre Jesus. O Culto do Evangelho no Lar poderá seguir o seguinte roteiro: 1
– Dia da semana e horário pré-fixados. Inicialmente deve-se escolher um dia certo da semana e um horário em que todos possam estar presentes. Antes
desse horário todos já estarão procurando preparar-se espiritualmente
evitando o barulho excessivo, as discussões, os programas de televisão,
comentários que levem a pontos de vista extremados, etc. 2
– Constância e assiduidade. As
reuniões deverão ser realizadas todas as semanas e não esporadicamente
quando coincidir com a presença de todos. Os elementos que constituem o
lar deverão ter o compromisso como algo muito importante e intransferível,
evitando marcar outras atividades para esse horário. A assiduidade dos
participantes faz com que a família fique mais entrosada e mais unida. O
Culto do Evangelho no Lar não deverá ser transferido para outro dia por
impedimentos circunstanciais. Somente uma forte razão poderá impedir que
ele se concretize no dia e hora aprazados. A visita inesperada ou o hóspede eventual deverão ser convidados para participar da reunião porque para eles também a prece e as leituras terão inestimável serventia. 3 – Desenrolar da reunião. A
reunião deverá ser iniciada com uma prece espontânea e não maquinal ou
decorada, mas traduzir o sentimento de quem a faz, externando pelas suas
próprias palavras. Em
seguida, leitura e comentários de uma página de “O Evangelho Segundo o
Espiritismo” que poderá ser aberto ao acaso ou mesmo ser estudado seqüencialmente. Os
comentários não devem ser extensos demais para não transformar o Culto
do Evangelho em reunião monótona e cansativa. Em continuação, leitura de páginas mediúnicas inseridas em livros como: “Fonte
Viva”, “Caminho, Verdade e Vida”, “Pão Nosso”, “Vinha de
Luz”, “Luz no Lar”, “Encontro Marcado”, “Agenda Cristã”,
“Conduta Espírita”, bem como paginas em forma de contos, apólogos,
reportagens como as que os livros do Irmão X veiculam. Aproveitar
o conteúdo das páginas lidas para que os mais experientes ministrem
alguns conselhos aos demais, cuidando, porém, para que a reunião não se
transforme em local de acusações, autodefesas, “indiretas” aos
membros da família, desvirtuando o caráter do Culto do Evangelho no Lar
que é de unir cada vez mais. Quando
houver crianças, estas também deverão participar da reunião e para
elas podem ser lidas pequenas historias infantis de conteúdo moral
elevado. Livros como “Jesus no Lar” e Alvorada Cristã “, bem como
os já citados de contos atingirão o interesse dos adolescentes. A reunião
não deverá ser muito prolongada quando tiver a participação de crianças
(20 a 30 minutos); e, mesmo quando for só constituída de adultos, não
deverá prolongar-se indefinidamente”. A reunião será encerrada com uma prece de agradecimento. Sempre
é conveniente colocar-se copinhos com água para ser fluidificada durante
o transcorrer da reunião e da prece, pelos Espíritos protetores. Encerrado
o culto todos deverão guardar repouso, meditando nas orientações
recebidas, evitando saírem à rua para outros programas nessa noite. Musica selecionada serve para melhorar o ambiente predispondo as mentes a uma melhor sintonia com os amigos espirituais. Com
a prática do Culto do Evangelho no Lar, iremos notar como o ambiente
espiritual de nossa casa melhora, como as relações fraternais entre os
seus participantes se acentuam, como a ligação entre os pais e os filhos
se torna mais respeitosa, mais elevada, mais digna. É
um verdadeiro banho de luz que procedemos em nosso lar quando as suas
portas se abrem para a realização co Culto do Evangelho no Lar. Sumário: Os
Espíritos não aconselham a prática mediúnica domiciliar. Somente os
que colocam sua opinião pessoal acima dos princípios doutrinários
defendem tal prática. No
lar deve-se realizar o Culto do Evangelho semanalmente. A força moralizadora da Doutrina Espírita deve manifestar-se primeiramente no reduto familiar. O
lar é o cadinho de purificações onde os corações que se amaram ou se
odiaram em outras encarnações se reencontram. O
Espiritismo tem no lar a função de consolar, orientar, fortalecer e de
impregnar o espírito humano de compreensão, paciência, humildade, amor
e perdão. O
lar, embora desvirtuado hodiernamente por alguns sociólogos que o
consideram ultrapassado, é instituição essencialmente divina e base da
recuperação da humanidade, através do esforço conjunto do homem e da
mulher. O
lar é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano da evolução
divina. A reta vertical é o sentimento feminino, envolvido nas inspirações
criadoras da vida. A reta horizontal é o sentimento masculino, em marcha
de realização no campo do progresso comum. O
lar é o sagrado vértice onde o homem e a mulher se encontra para o
entendimento indispensável. É templo, onde as criaturas devem unir-se
espiritual antes que corporalmente. Para
a união de todos os elementos da família, o Culto do Evangelho no Lar é
elemento fundamental e indispensável. O
comodismo de muitos e a ignorância sobre a prática mediúnica têm feito
com que o Culto do Evangelho se transforme em sessão mediúnica caseira. O Culto do Evangelho no Lar poderá ser realizado através do seguinte roteiro: A
escolha de um dia da semana, com horário prefixado; realizar-se com constância
e assiduidade; a reunião deve iniciar-se com uma prece espontânea;
leitura e comentários de uma página de O Evangelho Segundo o
Espiritismo; leituras de mensagens de fundo moral e evangélico, extraído
de livros espíritas consagrados e mais adequado para essa reunião; as
crianças poderão participar do Culto e para elas serem lidas (ou elas
mesmas poderão ler) pequenas historias infantis de conteúdo moral; a
reunião deve encerrar-se com uma prece de agradecimento. Pode-se, também,
preparar um recipiente com água para ser fluidificada. Música
selecionada pode ser um elemento auxiliar na formação do ambiente. É
um verdadeiro banho de luz que procedemos em nosso lar quando abrimos suas
portas para a realização do Culto do Evangelho. Bibliografia: Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, 2.ª parte, Cap. XXIX; Leon Denis, No Invisível, 1.ª parte, Cap. X. Martins Peralva, Estudando a Mediunidade, Cap. XVIII; idem, Estudando o Evangelho, Caps. VI e VII; Leon Denis, No Invisível, 1.ª parte, Cap. VII; André Luiz, Psicografia de Francisco Cândido Xavier, Nosso Lar, Cap. 20. |