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Ä Introdução: 400. O Espírito encarnado permanece de bom grado no seu envoltório corporal? “É como se perguntasses se ao encarcerado agrada o cárcere. O Espírito encarnado aspira constantemente à sua libertação e tanto mais deseja ver-se livre do seu invólucro, quanto mais grosseiro é este”. 401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo? “Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos”.
ÄO Sono e os Sonhos. Exteriorização do Ser Humano. Telepatia. Desdobramento. Os
Fantasmas dos Vivos. Desdobramento Mediúnico.
ÄO Sono e os Sonhos – “Embora, durante a vida, o Espírito se
encontre preso ao corpo pelo perispírito, não se lhe acha tão
escravizado, que não possa alongar a cadeia que o prende e transportar-se
a um ponto distante, quer sobre a Terra, quer no espaço. Repugna ao Espírito
estar ligado ao corpo, porque a sua vida normal é a de liberdade e a vida
corporal é a do servo preso à gleba”. “Ele,
por conseguinte, se sente feliz em deixar o corpo, como o pássaro em se
encontrar fora da gaiola, pelo que aproveita todas as ocasiões que se lhe
oferecem para dela escapar, de todos os instantes em que a sua presença não
é necessária à vida de relação. Tem-se então o fenômeno a que se dá
o nome de emancipação da alma, fenômeno que se produz sempre durante o
sono. De todas as vezes que o corpo repousa, que os sentidos ficam
inativos, o Espírito se desprende”.(A Gênese, Cap. XIV item 23).
“...
O Espírito encarnado aspira constantemente à sua libertação e tanto
mais deseja ver-se livre do seu invólucro, quanto mais grosseiro é
este”. “...
O Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços
que o prendem ao corpo e, não precisando este então de sua presença,
ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros
Espíritos”. Esta
liberdade temporária do Espírito comprova-se através dos sonhos. “...
Quando o corpo repousa, acredita-o, têm o Espírito mais faculdades do
que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o
futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com
os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro”. “O
sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha
por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre.
Tiveram sonhos inteligentes os Espíritos que, desencarnando, logo se
desligaram da matéria. Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto
dos seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se
instruem. Trabalham mesmo em obras que se lhes deparam concluídas, quando
volvem, morrendo na Terra, ao mundo espiritual...”. “Isto,
pelo que concerne aos Espíritos elevados. Pelo que respeita ao grande número
de homens que, morrendo, têm que passar longas horas de perturbação, na
incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a
mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeições, ou em busca
de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. Vão
beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais funestas do que as
que professam entre vós. E o que gera a simpatia na Terra é o fato de
sentir-se o homem, ao despertar, ligado pelo coração àqueles com quem
acaba de passar oito ou nove horas de ventura ou de prazer. Também as
antipatias invencíveis se explicam pelo fato de sentirmos em nosso íntimo
que os entes com quem antipatizamos têm uma consciência diversa da
nossa. Conhecemo-los sem nunca os termos vistos com os olhos. É ainda o
que explica a indiferença de muitos homens. Não cuidam de conquistar
novos amigos, por saberem que muitos têm que os amam e lhes querem. Numa
palavra: o sono influi mais do que supondes na vossa vida. “Graças
ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo
dos Espíritos. Por isso é que os Espíritos superiores assentem, sem
grande repugnância, em encarnar entre vós. Quis Deus que, tendo de estar
em contacto com o vicio, pudessem eles ir retemperar-se na fonte do bem, a
fim de igualmente não falirem, quando se propõem a instruir os
outros...”. “O
sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Notai, porém
que nem sempre sonhais. Que quer isto dizer? Que nem sempre vos lembrais
do vistes, ou de tudo o que haveis, enquanto dormíeis. É que não tendes
então a alma no pleno desenvolvimento de suas faculdades. Muitas vezes,
apenas vos fica a lembrança da perturbação que o vosso Espírito
experimenta à sua partida ou no seu regresso, acrescida da que resulta do
que fizestes ou do que vos preocupa quando despertos... Acontece também
que os maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas
fracas e pusilânimes. “Os
sonhos são efeitos da emancipação da alma, que mais independente se
torna pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de
clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e
até mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que traz à memória
acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores.
As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos
desconhecidos, entremeados de coisas do mundo atual, é que formam esses
conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem
ter”. “A
incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a
recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos.
É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso.
Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional
teriam”. “Os
sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de buena-dicha,
pois fora absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São
verdadeiros nos sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm
realidade, porém que, freqüentemente, nenhuma relação guardam com o
que se passa na vida corporal. São também, como atrás dissemos, um
pressentimento do futuro, permitido por Deus, ou a visão do que no
momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta”. “É
necessário o sono completo para a emancipação do Espírito?”. “Não; basta que os sentidos entrem em torpor para que o Espírito recobre sua liberdade. Para se emancipar, ele se aproveita de todos os instantes de trégua que o corpo lhe concede. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, tornando-se tanto mais livre, quanto mais fraco for o corpo”. “Pode
a atividade do Espírito, durante o repouso, ou o sono corporal, fatigar o
corpo?”. “Pode,
pois que o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste.
Assim como as sacudiduras do balão abalam o poste, a atividade do Espírito
reage sobre o corpo e pode fatiga-lo”. (O Livro dos Espíritos, questões
400 a 442). André
Luiz, em seu livro “Mecanismo da Mediunidade”, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, em se reportando ao sono natural, registra o
seguinte: “Na maioria das situações, a criatura, ainda extremamente
aparentada com a animalidade primitivista, tem a mente como que voltada
para si mesma, em qualquer expressão de descanso, tomando o sono para
claustro remansoso das impressões que lhe são agradáveis, qual a criança
que, à solta, procura simplesmente o objeto de seus caprichos”. “Nesse
ensejo, configura na onda mental que lhe é característica as imagens com
que se acalenta, sacando da memória a visualização dos próprios
desejos, imitando alguém que improvisasse miragens, na antecipação de
acontecimentos que aspira a concretizar”. “Atreita
ao narcisismo, tão logo demande o sono, quase sempre se detém justaposta
ao veiculo físico, como acontece ao condutor que repousa ao pé do carro
que dirige, entregando-se à volúpia mental com que alimenta os próprios
impulsos afetivos, enquanto a máquina se refaz”. “Ensimesmada,
a alma, usando os recurso da visão profunda, localizada nos fulcros do
diencéfalo, e, plenamente desacolchetada do corpo carnal, por temporário
desnervamento, não apenas se retempera nas telas mentais com que preliba
satisfações distantes, mas experimenta de igual modo o resultado dos próprios
abusos, suportando o desconforto das vísceras injuriadas por ele mesmo ou
a inquietude os órgãos que desrespeita, quando não padece a presença
de remorsos constrangedores, à face dos atos reprováveis que pratica,
porquanto ninguém se livra, no próprio pensamento, dos reflexos de si
mesmo”. (Mecanismos da Mediunidade, Cap. XXI). E
referindo-se ao “Sono e Sonho”, André Luiz esclarece: “Qual ocorre
no animal de evolução superior, no homem de evolução positivamente
inferior o desdobramento da individualidade, por intermédio do sono, é
quase absoluto estagio de mero refazimento físico”. “No
primeiro, em que a onda mental é simplesmente fraca emissão de forças
fragmentaria, o sonho é puro reflexo das atividades fisiológicas. No
segundo, em que a onda mental está em fase iniciante de expansão, o
sonho, por muito tempo, será invariável ação reflexa de seu próprio
mundo consciêncial ou afetivo”. “Nesse
estagio evolutivo, permanecem milhões de pessoas – representando a
faixa de evolução mediana da Humanidade – rendendo-se, cada dia, ao
impositivo do sono ou hipnose natural do refazimento, em que se desdobram,
mecanicamente, encontrando, fora do indumento carnal, em sintonia com as
entidades que se lhes revelam afins, tanto na ação construtiva do bem,
quanto na ação deletéria do mal, entretecendo-se-lhes o caminho da
experiência que lhes é necessária à sublimação no porvir”. (Idem).
ÄExteriorização do Ser Humano. “O sono, em verdade, outra coisa não é que a evasão da alma da prisão do corpo. No sono ordinário o ser psíquico se afasta pouco; não readquire senão em parte a sua independência, e quase sempre fica intimamente ligado ao corpo. No sono provocado, o desprendimento atinge todas as gradações. Sob a influencia magnética, os laços que prendem a alma ao corpo se vão afrouxando pouco a pouco. Quanto mais profunda é a hipnose, mais se desprende e se eleva a alma. Sua lucidez aumenta, sua penetração se intensifica, o círculo de suas percepções se dilata. Ao mesmo tempo as zonas obscuras, as regiões ocultas do” eu “se ampliam, se esclarecem e entram em vibrações: todas as aquisições do passado ressurgem. As faculdades psíquicas – vista a distância, audição, adivinhação – entram em atividade. Com os estados superiores da hipnose chegamos aos últimos confins, aos extremos limites da vida física. O ser já vive então da vida do Espírito e utiliza as suas capacidades. Mais um grau, e o laço”. Fluídico “. Que liga a alma ao corpo se despedaçaria. Seria a separação definitiva, absoluta – a morte”. Certos
fatos comprovam que a “alma tem uma existência própria, independente
do corpo, e possui um conjunto de faculdades que se exercem sem o concurso
dos sentidos físicos”. “Em
primeiro lugar, durante o sono normal quando o corpo descansa e os
sentidos estão inativos, podemos verificar que um ser vela por nós vê e
ouve através dos obstáculos materiais, paredes ou portas, e a qualquer
distancia. No sonho sucedem-se imagens, desenrolam-se quadros, ouvem-se
vozes, travam-se conversações com diversas pessoas. O ser fluídico se
desloca, viaja, paira sobre a Natureza, assiste a uma multidão de cenas,
ora incoerentes, ora definidas e claras, e tudo isso se realiza sem a
intervenção dos sentidos materiais, estando fechados os olhos, e os
ouvidos nada percebendo”. “Em
certos casos, a visão psíquica durante o sono caracteriza-se por uma
nitidez e exatidão idêntica as percepções físicas no estado de vigília...”
(No Invisível, Cap. XII). ÄTelepatia“A
ação da alma, a distancia, sem o concurso dos sentidos, se revela mesmo
no estado de vigília, nos fenômenos da transmissão do pensamento e da
telepatia”. “Sabemos
que cada ser humano possui um dinamismo próprio, um estado vibratório
que varia ao infinito, conforme os indivíduos, e os torna aptos a
produzir nos outros e perceberem eles próprios sensações psíquicas
extremamente variadas”. “As
vibrações de nosso pensamento, projetadas com intensidade volitiva, se
propagam ao longe e podem influenciar organismos em afinidade com o nosso,
e depois, suscitando uma espécie de ricochete, voltar a ponto de emissão.
Assim duas almas, vinculadas pelas ondulações de um mesmo ritmo psíquico,
podem sentir e vibrar em uníssono”. “Para
praticar a telepatia são necessárias duas condições: de um lado no
operador, a concentração e a exteriorização do pensamento. Para agir
mentalmente, a distancia, é preciso recolher-se e dirigir com persistência
o pensamento ao alvo predeterminado. Provoca-se assim um desprendimento
parcial do ser psíquico, e origina-se uma corrente de vibrações que nos
põe em relação com o nosso correspondente. Neste se requer, por sua
parte, um degrau suficiente de sensibilidade”. ““
Uma vez fixado pensamento e estabelecida a corrente vibratória, torna-se
possível à comunicação. Chegamos a corresponder-nos telepaticamente, não
só com os nossos amigos terrestres, mas também com os do Espaço, porque
a lei das correspondências é a mesma nos dois casos “. (Idem)”.
ÄDesdobramento. Os Fantasmas dos Vivos. “Às
vezes, durante o sono ou na vigília, a alma se exterioriza, se objetiva
em sua forma fluídica e aparece, a distancia. Daí o fenômeno dos
fantasmas dos vivos”. “Os
fantasmas dos vivos atuam sobre a matéria; abrem e fecham portas, agitam
campainhas, fazem ouvir acordes em pianos fechados. Impressionam animais
domésticos, deixam sinais de mãos e dedos na poeira dos moveis e, às
vezes, mesmo comunicações escritas, que permanecem como uma irrecusável
prova de sua passagem”. “Os
desdobramentos dos vivos têm sido comprovados em todos os tempos. Deles
relata a Historia numerosos casos, firmados em valiosos testemunhos”. “A
mística cristã registra, como fatos miraculosos, casos de bilocação ou
bicorporeidade, em que facilmente reconhecemos fenômenos de exteriorização”. “Santo
Afonso de Liguóri foi canonizado por se ter mostrado simultaneamente em
dois lugares diferentes. Achando-se adormecido em Arienzo, pôde assistir
à morte do papa Clemente XIV, em Roma, e anunciou, ao despertar, que
acabava de ser testemunha desse acontecimento”. “O
caso de Santo Antônio de Pádua é célebre. Estando em Pádua a pregar,
interrompeu-se de repente, em meio do sermão e adormeceu. Nesse mesmo
instante, em Lisboa, seu pai, acusado falsamente de homicídio, era
conduzido ao suplício. Santo Antonio aparece, demonstra a inocência de
seu pai e faz conhecer o verdadeiro culpado”. (No Invisível, Cap. XII). Clássico
no Espiritismo moderno é o caso de Émile Sagée, citado por Alexandre
Aksokof, em seu livro “Animismo e Espiritismo”. Em
1845, Émile Sagée, de Dijon, França, era professora no Colégio de
Neuwelke, na Livônia, Rússia; o colégio era uma instituição para moças
nobres e contava com quarenta e duas internas. “Poucas
semanas depois de sua entrada na casa, singulares boatos começaram a
correr a seu respeito entre as alunas. Quando uma dizia tê-la visto em
tal parte do estabelecimento, freqüentemente outra assegurava tê-la
encontrado em outra parte, na mesma ocasião, dizendo”.Isso não; é
possível, pois acabo de passar por ela na escada “, ou antes, garantia
tê-la visto em algum corredor afastado. Acreditou-se a principio em algum
equívoco...”. “...
Certo dia em que Émile Sagée dava uma lição a treze meninas... e que,
para melhor fazer compreender a sua demonstração, escrevia a passagem a
explicar no quadro-negro, as alunas viram de repente, com grande terror,
duas jovens Sagée, uma ao lado da outra! Elas se assemelhavam exatamente
e faziam os mesmos gestos”. “Passaram-se
meses e fenômenos semelhantes continuaram a produzir-se. Via-se de tempos
em tempos, ao jantar, o duplo da professora de pé, por trás de sua
cadeira, imitando seus movimentos, enquanto ela jantava, porém sem faca,
nem garfo, nem comida nas mãos. Alunas e criadas de servir à mesa
testemunharam o fato, da mesma maneira”. “Certo
dia todas as alunas, em numero de quarenta e duas, estavam reunidas em um
mesmo aposento e ocupadas em trabalhos de bordados. Era um salão do andar
térreo do edifício principal, com quatro grandes janelas, ou antes,
quatro portas envidraçadas que se abriam diretamente para o patamar da
escada e conduziam ao jardim muito extenso pertencente ao estabelecimento.
No centro da sala havia uma grande mesa diante da qual se reuniam
habitualmente as diversas classes para se entregarem a trabalhos de agulha
ou outros análogos”. “Naquele
dia as jovens colegiais estavam todas sentadas diante da mesa, e podiam
ver perfeitamente o que se passava no jardim; ao mesmo tempo em que
trabalhavam, viam a jovem Sagée, ocupada em colher flores, nas
proximidades da casa; era uma das suas distrações prediletas. No extremo
da mesa, em posição elevada, conservava-se uma outra professora,
incumbida da vigilância e sentada numa poltrona de marroquim verde. Em
dado momento, essa senhora desapareceu e a poltrona ficou desocupada. Mas
foi apenas por pouco tempo, pois as meninas viram ali de repente a forma
da jovem Sagée. Imediatamente elas dirigiram a vista para o jardim e
viram-na sempre ocupada em colher flores; apenas seus movimentos eram mais
lentos e pesados, semelhantes aos de uma pessoa sonolenta ou exausta de
fadiga. De novo dirigiram os olhos para a poltrona, em que o duplo estava
sentado, silencioso e imóvel, mas com tal aparência de realidade que, se
não tivessem visto a jovem Sagée e não soubessem que ela tinha”.
Aparecido na poltrona sem ter entrado na sala, acreditariam que era ela em
pessoa. Convictas, no entanto, de que não se tratava de uma pessoa real,
e pouco habituadas com essas manifestações extraordinárias, duas das
mais ousadas alunas se aproximaram da poltrona, e, tocando na aparição,
acreditaram sentir uma certa resistência, comparável à que teria
oferecido um leve tecido de musselina ou de crepe. Uma delas chegou mesmo
a passar defronte da poltrona e a atravessar na realidade uma parte da
forma... As quarentas e duas colegiais verificaram o fenômeno da mesma
maneira. “Algumas
dentre elas perguntaram em seguida à jovem Sagée se, naquela ocasião,
ela tinha experimentado alguma coisa de particular; esta respondeu que
apenas se recordava de ter pensado, diante da poltrona desocupada:” Eu
preferiria que a professora não se tivesse ido embora; certamente, essas
meninas vão perder o tempo e cometer alguma travessura “. “...
Naturalmente, os pais começaram a experimentar escrúpulo em deixar suas
filhas por mais tempo sob semelhante influência, e muitas alunas, que
tinham saído em férias, não mais voltaram. No fim de dezoito meses,
havia apenas doze alunas das quarentas e duas que eram. Por maior que
fosse a repugnância que tivessem com isso, foi preciso que os diretores
sacrificassem Emília Sagée. “Ao
ser despedida, a jovem, desesperada, exclamou: oh! Já pela décima nona
vez: é duro, muito duro de suportar!”. “Quando
lhe perguntaram o que queria dizer com isso, ela respondeu que por toda
parte onde tinha passado – e desde o começo de sua carreira de
professora, na idade de dezesseis anos, tinha estado em dezoito casas
antes de ir a Neuwelcke -, os mesmos fenômenos se tinham produzido,
motivando sua destituição”. (Animismo e Espiritismo – Cap. IV –
item III). Outras
experiências demonstraram a possibilidade, para certos indivíduos de se
desdobrarem parcialmente, de materializarem determinadas partes de sua
forma fluídica e produzirem vários fenômenos. Médiuns como Eusápia
Paladino e Eglinton, provocavam a muitos metros de distancia e sem
contacto físico, a deslocação de corpos inertes em plena luz e deixavam
impressões de seus membros fluídicos em substancias moles: argila
parafina ou papel enegrecido ao fumo.
ÄDesdobramento
Mediúnico
Não
devemos confundir médium de desdobramento com médium de transporte.
ÄMédium de transporte : é o de efeitos físicos, que serve de instrumento para que os Espíritos
transportem objetos, flores, etc... Do exterior para o interior e
vice-versa.
ÄMédium de desdobramento : é aquele cujo Espírito
tem a possibilidade de desprender-se e excursionar por vários lugares, na
Terra ou no mundo Espiritual, a fim de colaborar nos serviços, consolando
ou curando. O
médium de desdobramento que deseja aprimorar a sua faculdade, e aumentar
os seus recursos, não podem prescindir de condições de ordem moral,
tais como: vida pura, aspirações elevadas, potencia mental pelo cultivo
de pensamentos elevados, disciplinação da vontade e da concentração,
cultivo da prece e exercício regular em ambiente equilibrado e propício.
Deve ainda contar com a sustentação vibratória, responsável e
consciente dos componentes do grupo e, certos casos, o auxilio magnético
dos encarnados, primando pela espontaneidade.
ÄSumário: O
Espírito embora preso ao corpo pelo perispírito, alonga a cadeia que o
prende e transporta-se a pontos distantes, quer sobre a Terra, quer no
espaço. Este
fenômeno é chamado emancipação da alma, fenômeno que se produz sempre
durante o sono. Quanto
mais grosseiro é o invólucro que prende o Espírito, mais deseja este a
libertação. Durante
o sono afrouxam-se os laços que prendem o Espírito ao corpo e ele se lança
pelo espaço e entra em relação direta com os outros Espíritos. Esta
liberdade temporária do Espírito comprova-se através dos sonhos. Quando
o corpo repousa tem o Espírito mais faculdades que no estado de vigília. Os
Espíritos que não se acham muito ligados às coisas materiais quando
dormem, buscam os seres que lhes são superiores; com eles viajam,
conversam e se instruem. Trabalham em obras espirituais. Os
Espíritos que se comprazem com as coisas materiais e as paixões do
mundo, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores a Terra, onde
os chamam velhas afeiçoes, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do
que os em que tanto se deleitam. Graças
ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo
dos Espíritos. Os
maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas fracas e
pusilânimes. Os
sonhos são efeitos da emancipação da alma; daí uma espécie de
clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e
até mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que traz à memória
acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. Sob
a influencia magnética, os laços que prendem a alma ao corpo se vão
afrouxando pouco a pouco e o desprendimento atinge todas as gradações. A
alma aumenta sua lucidez, sua penetração se intensifica, o círculo de
suas percepções se dilata. O ser já vive então da vida do Espírito e
utiliza as suas capacidades. A
ação da alma, a distancia, se revela mesmo no estado de vigília, nos
fenômenos da transmissão do pensamento e da telepatia. Às
vezes durante o sono ou na vigília a alma se exterioriza, se objetiva em
sua forma fluídica e aparece, a distancia. Daí o fenômeno do
“fantasma dos vivos”. Médium
de transporte é o de efeitos físicos que permite aos Espíritos o
transporte de objetos para lugares próximos ou distantes. Médium
de desdobramento é aquele cujo Espírito tem a possibilidade de
desprender-se e excursionar por vários lugares, na Terra ou mundo
espiritual.
ÄFenômeno Mediúnico e Fenômeno Anímico Os
fenômenos no Mundo (Livro Correnteza de Luz – José Raul Teixeira pág;
41). Em
toda a história do gênero humano sobre a Terra, tomamos conhecimento dos
múltiplos fenômenos de ordem parapsíquica ocorridos no seio dos grupos
e sociedades, nos mais variados estados de desenvolvimento ou de cultura. Os
fenômenos mediúnicos, em todas as épocas sinalizaram com essa
possibilidade de os homens travarem contato com os mortos que já se
desligaram dos vínculos orgânicos, os chamados mortos. Fenômenos
inumeráveis ocorreram em vastas proporções, com os Espíritos
escrevendo diretamente, falando diretamente, mostrando-se claramente à
luz do dia ou no íntimo da noite, convocando os homens a um nível de
pensamento mais alto em torno dos objetivos de seus compromissos no mundo. O
mais eloqüente fenômeno que os Céus aguardam que ocorra no mundo é o
da conversão do Espírito equivocado para que realize o seu encontro com
o Criador. Contudo,
o fenômeno mediúnico é apenas meio; a sua finalidade é a estrada da
redenção. O
fenômeno mediúnico não deverá estar dissociado dos anelos de renovação
e progresso de cada individuo. Somente
quando Jesus houver sido entronizado na alma da coletividade, para
instalar o verdadeiro amor na Humanidade, o objetivo dos mais eminentes
fenômenos terá sido atingido sobremodo, pela luz que brilhará na fronte
do médium que cada um será da Vontade Celeste sobre o mundo.
ÄFenômeno
Anímico
ÄAnimismo :
é o fenômeno produzido pela própria alma do médium, e desde que
espontâneo, é sempre válido. Difere da mistificação que
pressupõem engodo, engano, dolo, mentira, e pode ser produzida por espíritos
desencarnados, bem como, também, pelo próprio médium, consciente ou
inconsciente. “Como
distinguir se o Espírito que responde é o do médium, ou outro?” “Pela natureza das comunicações.
Estuda as circunstancias e a linguagem e distinguirás. No estado de
sonambulismo, ou de êxtase, é que, principalmente, o Espírito do médium
se manifesta, porque então se encontra livre. No estado normal é mais
difícil. Aliás, há respostas que se lhe não podem atribuir de modo
algum. Por isso é que te digo: estuda e observa. (Livro dos Médiuns, 2ª
parte, cap. XIX, item 223, pergunta 3ª)”. Dentre os entraves encontrados na
prática mediúnica, capazes de preocupar e mesmo perturbar a muitos
seareiros, está o animismo. O animismo passou a constituir-se
um fantasma de tal ordem que se torna uma das constatações que mais
oprimem os médiuns e exacerbam dirigentes de sessões. O animismo é daquelas ocorrências
que bem poderemos considerar como um ruído na comunicação mediúnica,
tendo em vista que ele será capaz de interceptar a mensagem e altera-la
de tal modo, que adultere o seu sentido mais profundo... ... Qual a razão de o animismo ser
tão mal visto e tão firmemente condenado nos labores mediúnicos? É que, mesmo sabendo que em todo e
qualquer fenômeno mediúnico a presença do fator anímico é inevitável,
pelo fato de o comunicante espiritual valer-se dos elementos biológicos,
psicológicos e culturais do médium, para elaborar e exteriorizar a sua
mensagem, no que se refere à qualidade e à intensidade do fenômeno,
espera-se que a interferência anímica não ultrapasse as linhas do
admissível, digamos, do suportável. Na reunião mediúnica deseja-se o
diálogo com o desencarnado, a fim de que se lhe ouça os arrozoados, se
lhe capte as idéias, e não os pensamentos e idéias do médium,
revestidas de características variadas. (Extraídas partes; do Livro
Correnteza de Luz – Médium J. Raul Teixeira pelo Espírito Camilo, pág
99).
ÄBibliografia:
Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, 2.ª parte, Cap. VII, questões 400
a 418; Idem, A Revista Espírita, dezembro-1858, julho-1865, junho-1866;
Leon Denis, No Invisível, 2.ª parte, Cap. XII e XIII; idem, Depois da
Morte, Cap. XI; André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier,
Mecanismos da Mediunidade, Cap. XXI; Idem, Nos Domínios da Mediunidade,
Cap. XI e XIX; Martins Peralva, Estudando a Mediunidade, Cap. XV. “. (A
Gênese, Cap. XIV item 23)”. (O Livro dos Espíritos, questões 400 a 442). (Livro Correnteza de Luz – José Raul Teixeira pág; 41). (Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. XIX, item 223, pergunta 3ª) “. (Extraído partes; do Livro Correnteza de Luz – Médium J. Raul Teixeira pelo Espírito Camilo, pág 99). Apostilas do Coem. |